Esta viagem à Europa que a Dê e eu fizemos foi uma viagem bem "turistão": os lugares que passamos (Paris, Veneza, Roma e até a Toscana) são lugares bem conhecidos e detalhados nos guias de viagem. Mas tem um curto pedaço do nosso caminho que merece um post só dele, e este pedaço são os dois dias que andamos pela Umbria.
A Umbria é uma regione das menos povoadas da Itália. Ela fica a meio caminho entre Roma e Veneza, e sua capital é Perugia, que infelizmente não tivemos tempo de conhecer. Eu costumo chamar a Umbria de "Minas Gerais da Itália", primeiro porque é a única região que não tem acesso ao mar, e segundo porque é um lugar pouco conhecido pelos turistas estrangeiros, mas que todo Italiano adora pela comida e pelas paisagens.
na França, quando fomos ao Mont St Michel, fomos com o carro do Axel por estradas principais
na Itália, alugados um carro por 3 dias. Saímos de Veneza, com destino final Roma, passando por estradas pequenas, médias e grandes
também na Itália, já na Toscana, rodamos com um carro velhinho por pequenas estradas vicinais
No geral é muito tranqüilo passear de carro por estes dois países. Eu dirigi bastante e não fui parado por nenhum guarda. Não precisei fazer a famosa carteira de motorista internacional: pela informação que eu tinha não seria necessário, e resolvi arriscar. As locadoras de carro pedem a sua carteira, mas se estiver em dia, beleza.
As leis de trânsito são iguais às do Brasil, e o pessoal tende a respeitar um pouco mais (mas não muito mais, especialmente na Itália).
No final das contas, viajar de carro não é muito barato se você for em dois. Em três, deve ser pau a pau com viajar de trem, com muitas vantagens.
Andar nas grandes cidades é roubada: o trânsito costuma ser ruim, e você nunca (eu digo NUNCA) encontra lugar para parar. Além disso, estamos comparando com um transporte público que nos seus piores momentos é como a linha verde do metrô às 8h30 da manhã.
Se eu recomendo viajar de carro na Europa? Com certeza! Pra mim as partes mais legais da viagem foram exatamente as que estávamos livres para ir onde quiséssemos. Isso sem valar da paisagem…
Hoje foi um dia bem cheio. Acordamos um pouquinho mais tarde para aproveitar o confortável aposento do hotel, e depois do café, pegamos o carro rumo à Norcia, uma cidadezinha bem pequena perto de Foligno, que é toda murada e mundialmente conhecida pelas trufas e pela tradição dos embutidos, conhecida como norcineria. Olhamos no mapa e decidimos que iríamos pegar uma estradinha pelo norte da cidade para tentar passar num vilarejo chamado de Casteluccio. Para se ter uma idéia, não está no mapa!
A estrada foi fazendo muitas e muitas curvas pelos morros, e eu cada vez mais enjoada.... blah.... depois de um tempo o carro começou a subir, subir, subir.... Entramos na região do Parque Nacional do Monte Sibiliini. Eu já tinha visto umas fotos de Casteluccio, e não sabia direito o que iria encontrar, já que estamos na primavera. Mas aos poucos a neve dos picos mais altos das montanhas foram aparecendo e eu fiquei muito feliz com aquela paisagem maravilhosa. Recomendamos a todos que venham visitar essa região.
Mas de repente.... eis que surge após mais uma curva o Monte Vettore, de 2476m, com picos cheio de neve. MUITO BONITO! E num morro do outro lado de um vale cheio de flores estava Casteluccio. Ainda próximos ao vilarejo almoçamos num restaurante bem pequeno, mas confortável, onde comi sopa de lentillhas (que são cultivadas aqui) e o Pedro comeu gnnochi e queijo com proschiuto (como era mesmo o nome?).
Seguimos viagem passando por mais estradas curvilíneas e mais morros e montanhas, rumo à Roma. Chegamos por volta de 18hs, brigando pela estrada. Hehehe. Eu e o Pedro estávamos bem perdidos (da próxima vez, vamos dar um jeito de andar com GPS no carro) e começamos a discutir sobre o pedágio (que não tinha nada de especial, era só pegar a tarjeta que vc retira num máquina e pagar para o cara da cabine alguns kilômetros depois). Nos perdemos bastante depois de entrar em Roma. Aqui é bem confuso, não tem indicações, é ruim de estacionar. Ai ai ai. Mas enfim, achamos o B&B que vamos ficar por esses dias. Nos pareceu simples, mas suficiente.
Fomos devolver o carro alugado na estação de trem. E mais confusões: não sabíamos onde estacionar. Depois fomos descobrir que tínhamos parado em lugar proibido, e que o carro devia estar em outro lugar. Enfim... confusões e discussões a parte, vamos ver o que Roma vai nos oferecer!
Enquanto isso vou dormir pensando nas montanhas com picos nevados e os vales cheios de flores coloridas
Hoje acordamos cedo em Pesaro, onde passamos a noite. Tomamos café, ainda demos uma passada pela calçada da praia, e de lá, depois de alguns kilômetros, nos despedimos do mar rumo ao interior da Itália. Não posso esquecer de comentar que o sol saiu hoje... e ontem, que podíamos ter pego uma praia, ele se escondeu! Coisas de Murphy.
Seguindo pela estrada, logo o terreno plano deu lugar às montanhas dos Apeninos. O caminho ficou bem bonito, principalmente depois que entramos na Umbria. Essa região é conhecida como o "coração verde" da Itália. Logo avistamos Gubbio, uma cidade medieval (como outras existentes por aqui). Alcançamos também Assisi, onde almoçamos e visitamos a igreja de San Franscesco. A cidade é encantadora, fica bem no alto e possui ruazinhas estreitas no estilo medieval.
Descemos de tarde as colinas para alcançar Foligno, em busca da casa onde o avô do Pedro morou e deixou nos anos 50. A cidade é bem bonitinha, mas o trânsito é meio caótico porque além da falta de semáforos e placas com os nomes das ruas, elas são muito estreitas. Na busca de um lugar para estacionar, o Pedro deu uma ré e não viu o muro... bateu o carro que alugamos! Eu fiquei muito brava... ainda bem que foram só uns arranhões.
Encontramos finalmente a casa (que não tinha mais a numeração indicada no mapa do avô do Pedro) com a ajuda de umas pessoas que moram em frente da casa e que conheciam os Angelini. Foi bem emocionante. Eles nos serviram café e conversaram com o Pedro, que ficou muito feliz.
Bom, missão cumprida, fomos para o nosso hotel 4 estrelas chamado Delfina Palace, aqui em Foligno mesmo, de onde escrevo agora. O hotel é bem confortável e possui um jardim com oliveiras. Bem legal.
Ah não posso esquecer de dizer que comi, finalmente, trufas! Para quem não sabe, não são aquelas de chocolate, mas fungos que nascem embaixo da terra e que são colhidos (ou caçados) por cães farejadores. É uma iguaria muito cara (em São Paulo, por exemplo, um prato com trufas não sai por menos de 300 reais) e que são encontradas em poucos lugares no mundo. Eu achei muito bom. Mas amanhã nós vamos comer em Norcia, que é a cidade das trufas aqui na região.
Hoje acordamos um pouco mais cedo, por causa da greve dos vaporettos em Veneza, mas não tivemos problemas para ir ao aeroporto Marco Polo, onde pegamos o carro. Aliás, uma dica aqui, se você está chegando ou partindo de Veneza por este aeroporto, o negócio é pegar a linha de barco Alilaguna, que vai para Lido e para a Piazza San Marco: com certeza é bem mais agradável que pegar um ônibus até Piazzale Roma e depois o vaporetto.
Bom, pegamos o carro e saímos, indo por estradas principais (mas não auto-estradas) em direção a Chioggia, depois Ravenna, rumo ao nosso destino do dia que foi Pèsaro. O começo da viagem foi um pouco chato, por que pegamos vários caminhões lentos, e eu ainda estava um pouco preocupado em prestar atenção em como as pessoas dirigem. Depois percebi que a coisa é bem parecida com o Brasil (segue-se as regras, ma non troppo) e consegui aproveitar mais o Fiat Punto que alugamos.
No caminho, paramos para almoçar em uma cidadezinha a beira do mar chamada Visabella, onde a Dê comeu um macarrão, e eu um prato de frutos do mar
Depois de Ravenna, passamos do lado de várias cidades de praia pequeninas, entrando na favorita da Dê Gabicce Mare. Por algum motivo ela adorou esta cidade quando pesquisamos o lugar, e falava o nome com muita vontade:
Na prática, não estava tão legal assim, pois chovia um pouco, mas a cidade é bem simpática. O mais legal de Gabicce Mare, porém, é que é o caminho que leva até Gabicce Monte, e depois a famosíssima (pelo menos entre nós dois) Strada Panoramica Adriatica. Bom, eu adoro dirigir nessas estradinhas pela montanha, com vistas lindas e cheias de curvas. Para ajudar, tinha parado de chover, e as plantas estavam todas floridas, com um cheiro de primavera no ar.
Depois deste passeio muito gostoso, chegamos a Pesaro e paramos num hotel que tínhamos visto na Internet. Pesaro é uma cidade bastante turística (nosso guia chama de “resort”), mas não estamos em temporada ainda, então está meio parada. De qualquer forma, é uma cidade muito agradável, como as fotos mostram. Passeamos, tomamos um sorvete (surpresa, a moça da sorveteria era brasileira!), e agora voltamos para hotel para descansar.