Esta viagem à Europa que a Dê e eu fizemos foi uma viagem bem "turistão": os lugares que passamos (Paris, Veneza, Roma e até a Toscana) são lugares bem conhecidos e detalhados nos guias de viagem. Mas tem um curto pedaço do nosso caminho que merece um post só dele, e este pedaço são os dois dias que andamos pela Umbria.
A Umbria é uma regione das menos povoadas da Itália. Ela fica a meio caminho entre Roma e Veneza, e sua capital é Perugia, que infelizmente não tivemos tempo de conhecer. Eu costumo chamar a Umbria de "Minas Gerais da Itália", primeiro porque é a única região que não tem acesso ao mar, e segundo porque é um lugar pouco conhecido pelos turistas estrangeiros, mas que todo Italiano adora pela comida e pelas paisagens.
Falando na paisagem, a Umbria fica bem no meio da Itália, portanto nos Apeninos, essa cadeia de montanhas que começa nos Alpes e vai até a pontinha da Bota. Por causa disso, montanhas nevadas e vales verdes são uma constante. Para nós, brasileiros, que estamos acostumados a planícies e colinas, é simplesmente fantástico! Além disso, tivemos a sorte de estarmos lá em plena primavera, então os campos verdejantes estávam todos salpicados de florezinhas amarelas e vermelhas. Em alguns pontos passamos no meio de florestas, que também são muito bonitas (não é a toa que a Umbria é conhecida como "coração verde da Itália").
Ainda nas florestas mas ligando com a comida, a Umbria é uma das poucas regiões do mundo onde se produz trufas negras, que não são bombons, e sim fungos, que nascem de baixo da terra na floresta, e na época certa são caçadas (não se diz "colher" para trufas) por cães e porcos especialmente treinados.
Fora as famosas trufas, você pode comer massas divinas, molhos fantásticos, delicioso óleo de oliva, e principalmente embutidos. A Umbria é tão importante no ramo de embutidos que, em várias partes da Itália o comércio que vende salames, presunto, mortadelas e afins (tudo de porco) se chamanorcineria por causa de uma cidadezinha medieval chamada Norcia no meio do parque nacional dei Sibilini que fabricava (e ainda fábrica) ótimos produtos da carne. Coisas legais de provar são as pancetas (ler "pantcheta" em portugues) e porchetas. A primeira é uma espécie de bacon (barriga do porco) bem temperada e apimentada, enrolada e depois servida picadinha em molhos, mais ou menos como usamos o bacon aqui. Já a porcheta (leia-se "porqueta") também é a barriga do porco, mas dessa vez um pedaço maior, enrolado em volta de um lombo de porco bastante temperado, mas dessa vez não muito picante. Esse bloco de porco vai para o forno, e a gordura da barriga ajuda a não deixar o lombo seco. Depois de assado se cortam fatias finas e se come a porcheta em sanduíches ou no prato mesmo. Tudo muito light, claro
Além da paisagem e comida, a Úmbria também é crivada de cidadezinhas medievais. A maioria delas mantém a praça central, os Palazi Comunali (prédio do governo no "municipio" ou Comune) e Basílicas construídos muitas vezes a 1.000 anos atrás e aumentadas e embelezadas desde então. As cidades menores ou mais inacessiveis ainda mantém seus muros protetores, o que as deixa ainda mais charmosas e interessantes. Em geral, essa cidades mantém algumas festas tradinacionais antiquíssimas, com competições entre os bairros. Em Gubbio, por exemplo, existe uma corrida onde os representantes de cada bairro tem de levar uma vela acesa até a linha de chegada. Para estas festas as cidades ficam todas enfeitada com os estandartes de cada bairro, cada um com seu símbolo medieval.
Por último, mas não menos importante, a Úmbria também é destino de peregrinos cristãos, que vão visitar a famosa cidade de Assis, ou Asisi como chamam os locais. Para quem não está se lembrando, é lá que nasceu e cresceu o famoso São Francisco (sim! o de Assis!). Está cidade medieval é muito bem preparada para receber turistas (inclusive com estacionamentos para quem vem de carro), e abriga diversas igreja e basílicas, incluindo a de São Francisco, claro, muito bonita e com relíquias sem preço. Como a cidade fica no alto de uma montanha, a vista também é qualquer nota.
Para mim a Umbria tem um atrativo além destes que mencionei a pouco: a pouco conhecida cidade de Foligno.
Foligno é uma cidade um pouco ao sul de Asisi e suas principais atrações turísticas são a praça, a catedral e a Giostra della Quintana, que é a festa medieval local. O que ela tem de diferente é que é a cidade onde nasceu meu avô paterno. De quebra, sou registrado lá e até voto por lá (por correspondência, claro). Nesta viagem tive a chance de passar lá e consegui, guiado por um mapa feito a mão e alguns nomes que meu vô se lembra, consegui encontrar a rua e até o lugar onde ficava a casa dos meus antepassados. Foi muito emocionante, ainda mais por que fui ajudado e super bem recebido por uns ex-vizinhos (põe ex nisso) que se lembram da minha família!
Outro pedaço que me deixou impressionado foi o Zuccherificio (fábrica de açúcar) onde meu bizavô trabalhou fazendo rodas para carroças antes de vir para o Brasil. Hoje a fábrica está em ruínas, mas, quando o encontramos me senti como um arqueólogo que, ao andar no meio de montanhas e vales, de repente se depara com um templo antigo esculpido na pedra.
Bom, obviamente depois dessa confissão eu não espero ser um comentarista isento sobre a Umbria, mas com certeza é um lugar que vale a pena visitar, de preferência de carro ou moto!
Vamos fazer nossa viagem agora em abril. E seu post nos animou mais ainda a visitar a Umbria. Passaremos 7 dias nesta região e esperamos ter experiências tão prazerosas quanto a que vocês tiveram. Grata pela sua experiência.